Alta Floresta (MT), 19 de novembro de 2018 - 16:55

Polícia

10/08/2018 13:44 Assessoria PJC/MT

MT: homem é preso por ameaçar juiz que mandou prender esposa integrante do CV

A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil, prendeu em flagrante o ex-presidiário Rafael Dhiego Gorget Camargo, acusado de ter ameaçado o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 7ª Vara Criminal (Vara Especializada do Crime Organizado).

O magistrado foi o responsável pela decretação das 233 ordens judiciais da Operação Red Money, deflagrada na quarta-feira (8), para desmantelar um esquema da facção Comando Vermelho que movimentou R$ 52 milhões em 1 ano e meio através de taxas de autorização para funcionamento de bocas de fumo e taxas de “segurança” cobradas de comerciantes para não terem as empresas roubadas.

Ele já usava uma tornozeleira eletrônica e foi preso no Fórum de Cuiabá, quando acompanhava audiência da esposa, Keyla Regina Balduino, que foi presa na operação. 

Rafael foi preso em flagrante, na tarde de quinta-feira (9), por incidência nos crimes de integrar organização e ameaça.

Segundo as investigações, logo após a deflagração da operação Red Money, o suspeito telefonou para uma pessoa próxima e ligada a Marcos Faleiros proferindo uma série de ameaças em razão da prisão de sua mulher e apreensão de veículos.

No contexto das ameaças, o ex-presidiário mandou recado, por meio dessa pessoa, falando que algo de grave aconteceria ao magistrado, caso a prisão preventiva de sua esposa, Keyla Regina Balduino, não fosse revogada.

Ainda durante o telefonema, o suspeito reconheceu ter responsabilidade sobre os crimes imputados à sua esposa, demonstrando ocupar posição de destaque na organização criminosa investigada na operação Red Money. Após ser autuado em flagrante, Rafael foi encaminhado para audiência de custódia no Fórum de Cuiabá.

A Operação

A operação Red Money foi realizada pela Polícia Judiciária Civil, sob a coordenação da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com o objetivo de desestruturar a base financeira da principal facção criminosa de Mato Grosso, cujas lideranças estão presas na Penitenciária Central do Estado.

Foram decretados 94 mandados de prisão (30 alvos estão dentro de presídios), 59 mandados de busca e apreensão e 80 ordens judiciais de bloqueio de contas correntes, e outras medidas cautelares de sequestro de bens e valores (uma fazenda no município de Salto do Céu, duas casas e um terreno em Cuiabá, dois caminhões e 5 automóveis), interdição de duas empresas. 

A investigação iniciada há mais de 15 meses teve como foco a apreensão de patrimônio e descapitalização da facção criminosa.

Segundo a apuração, a organização desenvolveu internamente um sistema de arrecadação financeira próprio, criando assim um grande esquema de movimentação financeira e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas de fachadas, contas bancárias de terceiros, parentes de presos, entre outros.

Por meses, os analistas estudaram o sistema de arrecadação financeira da facção criminosa descobrindo três fontes principais de recursos: 1. Mensalidade paga pelos faccionados, chamadas de “camisa”; 2. Cadastramento e mensalidades pagas por traficantes ou por cada ponto de venda de droga, conhecidas por “biqueiras”; e 3. Cobrança de “taxa de segurança” de comércios, ou seja, extorsão de comerciantes. (Com assessoria da PJC)


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